O Vasco vive situação muito curiosa: hoje, muitos torcedores do time, não admitem que jogadores ou cartolas sejam questionados. Os ídolos gozam de uma espécie de imunidade às críticas que desafia a lógica. Está na hora da torcida largar os estandartes daqueles que trabalham no clube e começar a ostentar os escudos do time. Afinal, o Vasco é muito, mas muito, mas muito maior que aqueles que defendem as suas cores.
Lembro de uma frase, não sei exatamente de quem, que falava algo como: existe um motivo para que o escudo do time esteja na frente do uniforme e o nome do jogador nas costas. É compreensível que, por muitas vezes, os jogadores se esqueçam disso, mas os torcedores? Isso não faz sentido. É verdade que, nós mais velhos, vivemos tempos de fartura, quando a Colina era recheada de craques como Roberto Dinamite, Romário, Bebeto, Edmundo, Sorato, Gian, Yan, Giovani, Juninho Pernambucano, Pedrinho, Felipe, Mauro Galvão, Evair, Viola, entre outros. Nessa época, costumava a brincar com meus amigos que os jogadores do Vasco corriam sério risco de bursite pela quantidade de canecos que levantávamos.
De lá para cá, ao invés de contarmos com jogadores inquestionáveis, passamos a ter um plantel limitado, com muitos refugos de times que foram melhor administrados e, portanto, tinham dinheiro para investimento no futebol. Dessa forma, o Vasco deixou de figurar entre as grandes agremiações, o que, consequentemente, tirou nosso poder de conquistar grandes nomes para o elenco.
Eis que, por anos ficamos sem jogadores de alto nível. Fomos, aos poucos, ficando carentes de ídolos. Chegamos a gritar o nome de Carlos Alberto, achar que Yotun era lateral e que Biancucci era jogador. Portanto, quando aparece um jogador melhor, é claro que a torcida se entusiasma. Só que existe uma grande diferença entre se empolgar e perder o senso crítico. E, hoje, parte da torcida, não consegue avaliar o time de maneira isenta.
Martin Silva, por exemplo, há diversos jogos, falha. Não é o jogador decisivo que já foi. Mas também está corroborando para os maus resultados. Nenê é outro que em qualquer oportunidade que tenha, faz o que pode para deixar o Vasco em maus lençóis. Quando não tem oportunidade, a cria, vide o comentário nas redes sociais de um fã sobre o Espanyol. No entanto, ambos são indiscutíveis. Coitado daquele que os questione. São tachados de sem memória ou mal intencionados.
Eurico é outro que tem status de ídolo para alguns da torcida. Não importa o que faça, ou quanto mais enterre o Vasco. Os torcedores vibram a cada declaração polêmica do líder. Amam aquele que, como gestor, só tomou decisões erradas para o Vasco e é responsável direto por todos os descensos do time. No entanto, para esses está acima do bem e do mal. Atribuem os percalços à gestões anteriores (que também tiveram seu dedo no problema), problemas de caixa que aparecem magicamente e não por má gestão e à velha e boa imprensa tendenciosa. Nunca é problema do velhinho. Como diriam alguns: Deixa o Velho trabalhar.
Enquanto não entendermos que esse pensamento patriarcal, tanto com jogadores quanto com cartolas só nos deixa mais atrás de nossos adversários e mais distantes de uma gestão forte, vamos continuar brigando. Brigando entre si, como no episódio do Vasco e Flamengo, brigando contra o rebaixamento ou brigando contra as falcatruas. Precisamos nos unir e exigir mais e o melhor, não nos acostumar com o que dá. Aqui é Vasco.
“Todos deviam ser respeitados como indivíduos, mas ninguém devia ser idolatrado.”
Albert Einstein
Saudações Vascaínas
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